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O Zen, o Budismo, Veículos, Julgamentos e Ecumenismo.

O Zen, o Budismo, Veículos, Julgamentos e Ecumenismo.

Hoje realizei algumas pesquisas, ainda de forma breve, e aqui https://sobrebudismo.com.br/os-cinco-tipos-de-zen/ e aqui https://sobrebudismo.com.br/os-cinco-tipos-de-zen-final/ encontrei 5 tipos de zen.

Encontrei esse texto hoje e me surpreendi, como sou ignorante em tanta coisa. Não que me tivessem apresentado esses conteúdos em detalhes, mas eu também não fui atrás de pesquisar. Responsabilidade minha pela minha ignorância. Nesses textos percebo alguns julgamentos mas não vou ficar com isso, fico com o fato de haver mais de um tipo de Zen.

Muito difícil aceitar a doxa que diz que um veículo é menor que outro ou que um veículo não realiza o caminho completamente. Ninguém sabe o que vai no interior de uma pessoa nem como ela realiza o Caminho. Esses textos significam para mim que: eu ainda posso ser Zen embora não sinta mais afinidade com a escola Soto-Zen, e isso não é um problema.

Apesar da Soto-Zen ser uma escola muito boa e estar muito na moda no Brasil agora, eu não me identifico mais  (no momento) com ela. Em um outro momento da minha psique, posso pensar diferente, mas no momento não consigo.

Hoje acredito que eu apenas não tenha encontrado a escola de Budismo correta, mesmo que não seja Zen, pois ser Zen ou não ser Zen não é o foco, mas acho que ser Budista é mais importante, esse guarda-chuva maior que engloba todas as escolas de Budismo. Acho que não se pode perder de vista que Shakyamuni Buda é o norte primordial. Ele está em muitas escolas de Budismo como Jesus está em muitas denominações de Cristianismo.

Em qualquer dos casos não se pode julgar qual escola ou denominação é a melhor, eu acho isso, na minha ignorância. Mesmo porque cada templo ou igreja interpreta a sua escola ou denominação ou os ensinamentos de Buda ou de Jesus do seu jeito. E cada templo ou igreja dá suas cores e estilo, e a escola ou denominação pode ser “ótima” (de acordo com julgamentos externos) mas aquele templo ou igreja em particular pode não ser “tão bom assim” (de acordo com julgamentos internos relacionados com identificação). Não estou aqui, neste raciocínio, englobando as igrejas que se transformaram em negócios de pastores, nem falsos médiuns, nem os falso gurus que temos tido notícia na mídia. Ora, sabemos que charlatões há em todos os lugares.

O praticante (todos, inclusive os próprios sacerdotes, mestres, médiuns, pais-de-santo, gurus, etc, ele pode estar realizando qualquer coisa em qualquer lugar: o Caminho, iluminação, salvação (se preferem usar essa palavra), evolução, despertar, etc. Mas pode também estar realizando por exemplo a atuação de graves neuroses, psicoses e perversões de toda ordem. Portanto, nenhum lugar é seguro e todos os lugares servem, se você está no Caminho, todos os lugares tem algo a ensinar. E a velocidade é sua. Não é da igreja, templo, denominação ou escola.

E há despertos e há perversos em todas as religiões do mundo. Todas. E não tem como julgar que nome de denominação ou escola ou qual templo ou igreja ou terreiro reúne mais iluminados ou perversos, não tem como saber. Estive em vários lugares de várias religiões ao longo da vida. O ser humano é o mesmo em qualquer lugar. O lugar em si não é garantia de transformação. Podemos sim cair em doutrinas distorcidas. Há que se ter cuidado. No entanto, no caminho espiritual, pude observar que algumas pessoas não dão conta de determinadas coisas e ficar numa doutrina, ainda que distorcida sob algum aspecto, é a melhor coisa que pode acontecer para aquela pessoa em termos de espiritualidade. E quem sou eu para julgar o que é distorcido ou não? Me atrevo a ter opiniões, sim, mas não quero ter certezas, isso é consciente em mim e começou não há muito tempo.

Um iluminado pode nunca dar a menor pista que é iluminado, porque ele mesmo não sabe que é iluminado. Pode-se observar o comportamento de pessoas. Também não tem como saber se alguém está “salvo” ou não. Pela Bíblia, se alguém está no Amor, ele está em Deus e Deus está nele (me falta agora a referência dos versículos), e isso acontece em tantas religiões, estar vivendo esse Amor fraterno e absoluto, é a compaixão.

Da mesma forma um perverso, bom, estou estudando, mas as motivações para permanecer em um lugar a qualquer preço, ou seja, “juntar” tempo de prática podem ser das mais diversas, até mesmo a atuação de um falso self, que não consegue ser outra coisa senão aquilo que ele mimetiza. Pode-se atravessar uma vida assim.

A presença de um perverso em um lugar religioso é sempre a melhor forma de prejudicar inúmeros seres, de fazer sofrer inúmeros seres. Tem o Karma de fazer o mal, que é do perverso. Mas também tem o Karma de permitir que o mal seja feito, que é uma forma de realizar o mal através do outro. Eu ainda vou estudar muito sobre o perverso para poder falar sobre isso com propriedade.

Não terminei minha busca. Quero visitar o Taoísmo e conhecer sua prática. Tem muitas formas de ter uma experiência religiosa, de se relacionar com o que o que está além do espaço e do tempo. Agora que aprendi a diferença entre 1) experiência religiosa, 2) religiosidade, 3) religião, me sinto mais livre ainda. Porque estou atrás da experiência religiosa em diferentes práticas de religiosidade. A religião, que é a institucionalização de uma religiosidade específica é o que menos importa para mim.

Não estou preocupada em me salvar ou me iluminar nem mesmo em evoluir. Não acho que essa coisas devem ser o foco, isso é consequência. E se acontecer, não vão me tornar melhor que ninguém.

Na Umbanda eu posso ser Budista, me foi dito. Eu posso ser Budista em casa com todas as práticas que aprendi no Zen Budismo Soto-Zen, que eu não abandonei, ao contrário, estão mais intensificadas agora. E posso frequentar a Umbanda, e um não agride o outro, dentro de mim não há conflito. Também posso fazer yoga, que está nos planos. Buda era yogue.

A oitava* linha da Umbanda é a “Corrente do Oriente” (Corrente no mesmo sentido que se usa pra água, água corrente, fluxo, movimento, fluir, não no sentido de grilhões, obviamente). Para mim, Buda flui nas minhas práticas e eu carrego isso para a reunião na Umbanda. Levo Kannon, Kanzeon Bosatsu comigo, no meu coração, e sobre isso falarei depois.

Essa tradução dos 4 votos do Bodhisattva me parece mais adequada:
Seres são incontáveis; faço voto de libertá-los. (não “salvá-los”)
Delusões são inexauríveis; faço voto de findá-las. (não “desejos”)
Portais do Dharma são ilimitados; faço voto de penetrá-los. (nenhum portal é limitado)
O caminho de Buddha é insuperável; faço voto de realizá-lo.

Se os portais do Dharma são ilimitados, não se pode dizer que um veículo é melhor, maior ou mais completo que o outro. Os portais do Dharma se abrem de forma diferente para cada um que O busca. A cada um de acordo com o que compreende e com o que dá conta naquele momento do Caminho. Muitas vezes é num lugar religioso tido como “todo errado” pela sociedade que a pessoa aprende uma “lição” do Caminho, que em outro lugar, para aquela pessoa, não seria possível.

Quando tomei refúgio, ganhei o nome de Hōnin, significa perseverança no Dharma, ou Dharma da perseverança. Mas eu também sou Ronin, agora, sem mestre porque todos são meus mestres, a vida é minha mestra. Sou as duas. E infinitos mestres já me ensinaram e muitos outros estão aparecendo e me ensinando. O ecumenismo é vivo em mim, a prática pura é a fidelidade ao Dharma, e o Dharma permeia tudo que existe. Como o Bodhisattva Kannon, “não há um lugar em que não se manifeste”.

Eu estou vendo diferentes manifestações de Bhudda. Diferentes manifestações do Dharma. Diferentes manifestações de Sangha. E diferentes manifestações da Compaixão Suprema, Kannon, não há mesmo um lugar em que el@ não se manifeste, eu testifico isso, em cada lugar, cada pessoa, todas essas coisas se manifestam de forma diferente.

E estou me relacionando com todas essas diferenças. Tudo é veículo quando você reconhece o Caminho. Tenho estado em diferentes religiões desde que nasci e tenho 52 anos. Desde a infância diferentes práticas, crenças e religiões me atravessaram e me afetaram, há afetos em todas.

Meio século para entender o que pode vir a ser ecumenismo de verdade. Eu mal comecei com o ecumenismo propriamente dito.

Galerias com minha arte

Galerias com minha arte

Você encontra meus trabalhos de Colagem Digital nesses 4 posts, já são 46 colagens até o momento.
Update: eu havia me esquecido das colagens produzidas entre 2015 e 2017, agora acrescidas aqui.
*as imagens serão vistas melhor em telas maiores que o celular*

Post Retroativo 001 – Artes 2013

Post Retroativo 004 – Artes 2015, 2016, 2017

Post Retroativo 002 – Artes 2018

Post Retroativo 003 – Artes 2019

Manifestações, Sangha, Dharma, Buda e mediunidade

Manifestações, Sangha, Dharma, Buda e mediunidade

Imagem de ilustração: O Conselho Ecumênico, de Salvador Dali http://totallyhistory.com/the-ecumenical-council/

Querida leitora, querido leitor, esse é um texto sobre ecumenismo, da perspectiva da minha incursão pessoal nessa prática.

A investigação do enigma de ser, para mim, já passou do estágio do QUEM sou eu. Venho nesse momento estar provisoriamente (sempre provisoriamente e tão precariamente) num estado de “O QUÊ sou eu?”. Já de antemão sabendo que nunca o saberei completamente.

Isso, se é que existe um EU nem vou entrar nisso agora. Se o eu é uma ilusão ou não, pela via religiosa ou psicanalítica, vamos partir do pressuposto que eu vou chamar de “eu” esse amontoado de causas, condições e circunstâncias ambulantes que usam como veículo de trânsito esse outro amontoado de células que são a minha pele e tudo que está contido dentro dela, inclusive até as células de outros seres que estão dentro de mim, por exemplo a flora bacteriana, que dialogam com o cérebro por sinais químicos). Essa massa de coisa aqui que tem um provisório documento de identificação RG válido apenas até o segundo da minha morte.

Tudo que você irá ler aqui hoje é um grande SE, um enorme SE antes de cada frase, de cada verbo, de cada oração. Há momentos que eu falo tomando determinadas coisas como certas para efeito de progredir o raciocínio, senão seria tudo um amontoado de perguntas esperando que ler mais…

O Post do Professor

O Post do Professor

Gostaria de trazer para cá algumas coisas que escrevi como comentários em um post de um dos meus professores de psicanálise, meu caro Professor Alessandro Alves, para que conheçam um pouco o tipo de coisa que passa na minha cabeça quando eu penso, e de como se dá minha dificuldade de entender conceitos, de tudo. É a bênção e a maldição, pois na medida em que consigo pensar muitos aspectos de algo que eu vá estudar, por exemplo, ao mesmo tempo me impede sempre de chegar numa conclusão definitiva. Mas de certa forma isso também é uma bênção, se eu consigo sustentar o estado de dúvida. Eu não li Sartre, mas obviamente estamos todos atravessados por “frases de efeito” publicadas no Facebook, de diferentes pensadores, ficando até difícil saber se os autores são mesmo os que as frases são creditadas. Digo isso porque vi esses dias que “A dúvida é o preço da pureza” e a frase está creditada a Jean Paul Sartre.

Oras, não li Sartre, mas gosto de brincar, não li mas parece que já gostei. Por isso busquei no Google algo que me explicasse melhor essa frase, e encontrei: http://www.assepe.org.br/site/categorias/reflexoes-cotidianas/282-a-duvida-e-o-preco-da-pureza
Diz lá: ler mais…

Ainda Physys e Arché

Tenho desejado produzir mais texto, porém eu tenho muita coisa pra estudar. Eu já estou no quarto semestre de filosofia e “me vi em béstia” porque assistir às aulas e colocar na prova o que estava no conteúdo é fácil. Mas tornar-se filosofa não é isso. Eu não senti que construí um pensamento em mim, ou ainda um pensar filosófico. Contratei os serviços do Matheus Arcaro como professor particular de filosofia para me guiar através de um percurso filosófico prático. Tivemos duas aulas. Eu não pude produzir texto “meu diário” porque estou ocupada tentando dar conta da ler mais…

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