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Tenho desejado produzir mais texto, porém eu tenho muita coisa pra estudar. Eu já estou no quarto semestre de filosofia e “me vi em béstia” porque assistir às aulas e colocar na prova o que estava no conteúdo é fácil. Mas tornar-se filosofa não é isso. Eu não senti que construí um pensamento em mim, ou ainda um pensar filosófico. Contratei os serviços do Matheus Arcaro como professor particular de filosofia para me guiar através de um percurso filosófico prático. Tivemos duas aulas. Eu não pude produzir texto “meu diário” porque estou ocupada tentando dar conta da formação em psicanálise (também estou no final do segundo ano), da faculdade de filosofia, das aulas particulares do Matheus, de ler 5 livros ao mesmo tempo, de cuidar de mim mesma no sentido de cuidados pessoais e saúde, operei os olhos não há muito tempo, tentando dar conta de casa, da roupa, da comida, tentando encaixar na rotina também o curso de história da arte.

E tentando comer direito também. Tudo isso sem medicamentos psiquiátricos. E ainda não consegui colocar a yoga na rotina, meu corpo precisa de socorro para tornar-se flexível outra vez, quero praticar yoga. Consegui parar de fumar e perdi já 5 kilos em um mês. E cuido dos passarinhos que crio soltos. E cuido das plantas do quintal e da varanda. E pratico zazen todos os dias, medito todos os dias. E faço orações e sutras no meu altar todos os dias, tendo uma pilha de papéis com nomes de pessoas para as quais rezo todos os dias, dedicando os méritos das leituras dos sutras e do jundo. Meu shinrei é as 5 da manhã, eu coloco água para todas as imagens que tenho, são onze divindades e entidades, começando por Shakyamuni Buda, Parinirvana Buda, Kanzeon Bosatsu, Jizo Bosatsu, isso os da linhagem japonesa. Mas tem Roma e China representados aqui também, e o cigano, e o anjo da guarda, e o caboclo de oxóssi. O ecumenismo é uma realidade na minha vida, é uma verdade e prática. E agora frequento a umbanda em um centro que tem ênfase em práticas esotéricas, com o campo aberto para a oitava linha da umbanda, a linha do oriente, e estou aprendendo práticas maravilhosas. Eu estou tentando dar conta da vida no sentido de dar conta de cuidar de mim e do ambiente em que vivo. Quem sabe eu consigo assim ser benefício para inúmeros seres só de não ser uma perturbação por aí ou só de não ser ignorante, porque a ignorância dá prejuízo para todos.

Apenas estou tomando conta da minha vida. Tudo isso está sendo possível porque eu também vou na análise 10 vezes por mês. Ou seja, ter me mantido na análise já por mais de 4 anos é o que abriu a possibilidade de eu conseguir realizar por mim, de eu me responsabilizar por mim e minhas coisas, meus interesses.  E sustentar meu desejo de buscar todos os tipos de conhecimento e crescer como pessoa. E cuidar de me tornar psicologicamente mulher, tendo sido como uma criança a vida toda e conseguir amadurecer num momento em que a menopausa já chegou. É muita coisa!! Então não me afobo, eu vou fazendo o que é possível.

Tem coisas que nem estão aqui.

Um dia você acorda e começa a achar tudo maravilhoso, tudo é bonito, até o feio e o triste e o horror, tudo é parte da vida, e eu só quero estar presente, apreciando, observando, participando de uma forma benéfica. Estou presente em tudo isso, e em mim mesma, o tempo todo. Imagine que eu também preciso de um professor ou professara de português, porque estou escrevendo mal e errado e tenho consciência disso, e agora não consigo colocar mais um curso.

Então hoje eu não tenho um texto muito legal pra mostrar. Eu trouxe um pedaço do texto que estou estudando em filosofia com o Matheus, estamos revisando tudo que aprendi até agora e eu ainda estou enroscada na physis e arché.

O texto dele está em preto. E em vermelho o que me chamou atenção. E em roxo as coisas que passam na minha cabeça quando eu leio o texto que ele me deu para estudar. Meu pensamento pelado e descoordenado, é o que tem pra hoje.
(…)

A physis é o cerne das primeiras reflexões filosóficas.

Physis: seu significado é muito mais abrangente do que “natureza” (que modernamente significa a matéria disponível à dominação do homem). Physis é a “alma do mundo”; é tudo o que é fundamental e permanente, em oposição ao que é transitório; é a substância primeira, causa de todas as coisas, estando igualmente presente em todas as coisas; é a totalidade de tudo o que há; é a unidade presente na multiplicidade do mundo.


De que são feitas as coisas?

Qual é o ‘elemento’ do qual se origina tudo o que existe?

Como, da unidade primordial, deriva a multiplicidade das coisas?

Tais questões são o ponto de partida dos primeiros filósofos. Para eles, deveria haver um elemento que possibilitasse a existência de tudo, ou melhor, um princípio ordenador da totalidade (capaz de ser captado pela razão).

Linhas gerais do pensamento filosófico pré-socrático

– Pergunta pela arché (origem, princípio originário)

– Totalidade contida na physis

– Cosmos como problema a ser resolvido pela razão

– Diálogo público

1- Tales de Mileto (625-558 a.C.)

É considerado o primeiro filósofo da história, já que tentou compreender a origem do cosmos sem recorrer às narrativas míticas. Foi o primeiro a prever um eclipse, empregando os conhecimentos astronômicos dos babilônicos.

A água (ou úmido) seria o princípio, a substância do universo da qual surgem todas as coisas. (Em suas viagens ao Egito, o pensador impressionava-se com a fertilidade da vida numa região desértica, ocasionada pelas cheias do rio Nilo).

Toda a singularidade que existe deriva da água e para ela retorna quando se dissolve, pois ela não é apenas sua fonte, mas também a essência que permanece a qualquer transformação (persiste à corrupção das coisas do mundo). Além de estar presente na grande maioria dos seres vivos, a água é um elemento com possibilidades de transformação (sólido – líquido – gasoso).

Apesar da argumentação racional sobre a origem do cosmos, Tales não explicou como se dá a passagem do uno ao múltiplo, ou seja, como do princípio-água, que é originariamente uno, teria derivado a multiplicidade de elementos que compõem o cosmos como o ar, a terra, as estrelas, os animais, o homem etc.).

2- Anaximandro de Mileto (610-547 a. C.)

O problema herdado do pensador antecessor (passagem do uno ao múltiplo), Anaximandro tenta resolver com o seu ápeiron (infinito espacial e qualitativo).(????? a dúvida surgiu de novo, não memorizei a resposta)

De um movimento circular primitivo no ápeiron, (????? interessante, o que seria esse movimento circular ?????) surgiu o cosmos por meio da separação de contrários (inicialmente o quente e o frio). Na esfera de fogo, desenvolvem-se o sol, a lua e os astros em geral. Da metade fria, surge o ar, a terra, o mar. A Terra é mantida por um equilíbrio de forças, sem sustentação material, ao centro do cosmos. E pela tensão de contrários, emerge a vida, desde as formas mais primitivas até o homem.

A formação cósmica não é uma evolução harmoniosa, mas uma constante luta entre opostos, que produz os seres a partir de uma injustiça primordial. (????? o que ele entende por injustiça??? qual era o conceito de justiça na época????) Tal injustiça é parcialmente reparada pelo perecimento dos seres individuais que, com a sua morte, retornam ao ápeiron.

Anaximandro é o primeiro a definir a physis como elemento abstrato, distinto de qualquer possibilidade de percepção. Trata-se de uma arqué captável apenas pelo pensamento.

3- Anaxímenes de Mileto (585-528 a. C)

Para o terceiro pensador de Mileto, o ar (ou sopro) é o princípio originário.

Pela ausência de forma definida, o ar é passível de gerar todas as formas. Isso acontece por condensação e rarefação. As diferenças qualitativas dos seres são explicadas quantitativamente, ou seja, pela maior ou menor quantidade de ar.

Anaxímenes, rejeita o ápeiron. Para ele, sua teoria não é um retrocesso em relação ao pensamento de Anaximandro. Ao contrário: Anaxímenes acredita que a indeterminação do ápeiron torna-o semelhante ao caos primitivo das narrações míticas. (????? não entendi por que) Contudo, a materialidade da água de Tales não é a resposta. Então, ele chega ao “justo meio”: o sopro como princípio do cosmos.

O ar declarado como unidade fundamental não é como o ar que respiramos (????? é um ar abstrato ou para ele era um outro ar concreto e também invisível????) . É, antes de tudo, o sopro vital gerador e mantenedor do cosmos, já que o universo é um gigantesco ser vivo, sempre dependente do ar primordial.(isso é muito interessante, quero pensar mais sobre isso)

4- A escola pitagórica

Escola fundada por Pitágoras de Samos (570-497 a. C), na península itálica de Crotona.

(Curiosidade: o termo ‘filosofia’ foi cunhado por Pitágoras)

Apenas com o pitagorismo se estabelece uma distinção nítida entre pensamento e sensibilidade (dicotomia que vai percorrer toda a história da filosofia): o cosmos é estruturado numericamente e tal estrutura só é captável pela razão. A harmonia sensível (do mundo) só é explicável a partir da harmonia inteligível, numérica.

O número é o princípio universal, a unidade cósmica. A physis, então, pode ser explicada em linguagem matemática.

(OBS: Número como coisa real, como conjunto de pontos dispostos no espaço (????? como assim? Números de forma concreta? Como assim????) e não como representação mental, abstração ou algarismo)

Unidade, proporção e harmonia compõem a regularidade das estações, o tempo de gestação de uma vida, os fenômenos e os seres dos mais diversos gêneros.

Tem como arqué o uno primordial imutável, do qual, por divisão, derivam os números (seres em sua pluralidade). Enquanto a unidade é a imutabilidade, a dualidade (com seus pares opostos harmonizados – quente-frio, seco-úmido, amargo-doce) é o princípio do devir. (????? como funciona esse mecanismo???? por exemplo um ser feito de diferentes proporções de quente e de frio????)

A musicalidade é o meio de purificação da alma. E a harmonia musical é composta pelas relações de proporção entre os sons.

5- Parmênides de Eleia (530-460 a.C)

Viveu em Eleia, colônia grega localizada no sul da Itália. Foi louvado por seus contemporâneos por ter levado uma vida muito regrada. Esteve em Atenas quando completou 65 anos e ali conheceu e se tornou amigo do jovem Sócrates. Escreveu sua grande obra, “Da Natureza”, em versos hexâmetros semelhantes aos de Homero. E a dividiu em duas partes: a primeira fala sobre o caminho da verdade (alétheia) e a segunda sobre o caminho opinativo (dóxa).

Na ‘segunda via’, atentando para os dados empíricos, o poema nos garante que com as informações dos sentidos, permanecemos no nível das opiniões, portanto sem chegar à verdade. Nesse “patamar”, o homem está preso à aparência da mutabilidade e à multiplicidade das coisas. A via da experiência sensorial, na qual os sentidos veem, tocam e sentem, não passa de ilusão.

Na ‘primeira via’, o homem se deixa conduzir apenas pela razão. Aqui ele afirma (e é o primeiro na história da humanidade) o princípio da identidade:

O ser é, o não-ser não é.” (???? o que seria um não ser?)

Desprezando a multiplicidade do devir, Parmênides afirma a realidade exclusiva do ser. O logos não admite a mudança,(???? não entendi, o conceito logos requer mais detalhamento) o devir, já que a transformação seria a negação do ser (a passagem do ser ao não ser).(????? não alcancei!!!) Demonstrado pelo logos, o ser é pleno de positividade. (????? de que positividade é essa que ele está falando? Em que sentido?)

Enquanto em seus antecessores a preocupação se centra em um elemento que equivale (????? como assim, “equivale” são metáforas???) ao ser e do qual se desdobra o conjunto do universo, em Parmênides a reflexão vai além das equivalências, buscando pensar o ser em si mesmo (como é o ser que não é si mesmo??????). Por isso, podemos dizer que Parmênides transforma a cosmologia em ontologia com a pergunta “O que é o ser?”. E com a resposta: “O ser é”. Com Parmênides, nasce a Metafísica.

Os atributos do ser (uno, imóvel, eterno, incriado, imutável, indivisível e pleno) são revelados como uma necessidade absoluta, que é, ao mesmo tempo, do ser e do pensamento, já que ambos são idênticos.(????? ser é pensar????)

Pois o mesmo é pensar e ser”(porque?????)

Pensamento, linguagem e ser (porque?????) são termos indissociáveis. Em última instância, eles são o próprio logos.

(entenda que venho de uma filosofia que fala em seres sencientes e não sencientes, e há os que digam “todos os seres” sem distinção entre sencientes e não-sencientes)

É preciso que tu aprendas: / o sólido coração da bem redonda Verdade / e as opiniões dos mortais, nas quais não há verdadeira certeza. / E, no entanto, também isso aprenderás: como as coisas que parecem deviam verdadeiramente ser, sendo todas em todos os sentidos”.(????? não entendi)

(Nesta passagem, Parmênides relaciona a verdade a uma esfera. Evidentemente, trata-se de uma metáfora, já que o ser é incorpóreo. Com a esfera, ele nos passa a ideia de infinitude, ou seja, algo sem dobras, sem quebras, sempre idêntico a si mesmo).

O Ser é indivisível, porque é inteiramente igual; / nem existe em algum lugar um de mais que possa lhe impedir de ser unido / nem um de menos, mas todo inteiro está pleno de ser. / Portanto, é continuamente todo inteiro: o ser, de fato, se estreita com o ser”.(????? não entendi)

As diferenças, o movimento e o devir não passam de ilusões. O mundo dos sentidos não é compatível com o ser explicitado pela razão. (???? REPRESENTAÇÕES????)

O paradoxo do arqueiro e da flecha

Zenão, discípulo de Parmênides, dedicou a vida toda à defesa da teoria do mestre. Por colocar seus oponentes sem argumento, Aristóteles afirmou que ele foi o fundador da dialética.

Contra os que defendiam o movimento como dado incontestável da experiência, Zenão exemplificou com a flecha arremessada por um arqueiro, que percorreria um espaço vazio até chegar ao alvo. Propunha aos seus oponentes que repartisse o caminho da flecha em etapas. Decompondo o percurso passo a passo, atinge-se cada um dos seus instantes que, pensados um a um, revelam a flecha sempre imóvel.

(…)
Hoje eu trouxe a minha dificuldade. É isso.

 

 

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