Escolha uma Página

Hipocrisia

Hipocrisia é uma das coisas que mais me afasta. Mas ninguém está no mundo pra me agradar. Então, nada a fazer, a não ser tentar ser, eu mesma, o menos hipócrita o possível. Isso é bem difícil, porque ninguém consegue viver 100% de acordo com o que acredita durante 100% do tempo. Ninguém é 100% bom muito menos minimamente bom durante 100% do tempo. Podemos apenas continuar tentando. Aproximar os próprios atos do próprio discurso é um projeto pra uma vida toda. E passa décadas e a gente não mudou nada ou mudou alguns míseros milímetros, e o esforço é constante, de carregar um elefante nas costas todos os dias, carregar o ser.
Mas ter que manter uma posição ou um rótulo na sociedade é muito mais cansativo, extremamente exaustivo eu acho, pra mim. E piamente acredito que manter um status, rótulo ou imagem social nos leva à atos e discursos hipócritas. Acho que por isso que eu fico me recusando a me estabelecer como algo fixo e usando de auto-boicote sempre que estou engrenando em algo. Meu padrão é o comportamento errático, por mais que eu tenha me fixado em algumas práticas por anos, práticas diferentes, de religião, de profissão, de tudo, porque manter qualquer posição significava abrir mão de uma liberdade de ser. Uma liberdade de ser que eu nem tinha me apropriado ainda, mal liguei o f*da-se, tenho pouco tempo de experiência nisso, mas realmente não ter reputação nenhuma é um alívio. E ainda assim as pessoa nos imputam uma, a que elas querem, cada um segundo a leitura que fazem da gente. Ora, f*da-se. Pensem o que quiser. Eu já tentei ser tanta coisa, não sou exatamente nada específico, talvez de forma sempre incipiente. Ou se não superficial, porque em algumas coisas eu me entreguei bastante, então profunda mas sem durabilidade. Sou assim um pouco de tudo, como dizia o comediante “especialista em assuntos aleatórios”, e até sei de bastante coisa mas não forma um conjunto harmônico ou rotulável o meu conjunto de, na verdade, não-saberes, porque no fundo não sei nada de forma sistemática ou organizada, nada de forma… formal. Estou tentando fazer a sétima faculdade e já dou sinais de desgaste profundo, mesmo que gostando do curso. O outro curso de formação, suspendido temporariamente, mas sabe-se lá se vou voltar.
Sob determinados aspectos sei muito mas não serve pra nada específico, e quando serve não me adapto. Nem ao sistema, nem às pessoas e o modo delas transitarem pelo mundo. E pra falar a verdade, sob outro aspecto eu sei que não sei quase nada. Mesmo. Por isso sou eterna amadora, amando muito tanta coisa que faço mas nunca exatamente profissional. E na profissão, ou ainda, nas profissões, auto-didata de prática, de aprender fazendo, ah, como eu tenho sabedoria de tentativas e erros, eu tenho de sobra. E continuo errando. Por favor não esperem nada de mim além de um algo sem nome. Com 52 anos não dou sinais de me adaptar ao que quer que seja, a não ser à solidão, demorou mas chegou aceitar ser um número primo. Ímpar. Sem par. Sem par nenhum pra nada. Cansei de procurar pertencimento, eu não pertenço, nem à ninguém nem à lugar nenhum.
Estou muito cansada de tanto blá blá blá. Gente, o ser humano fala demais. Eu falei demais a vida toda, mas já andava ultimamente sem paciência pra conversa. Agora aqui sozinha e trancada em casa eu finalmente encontrei o silêncio e a paz de não ter que falar o tempo todo com alguém.
Agora posso escolher com quem falar um pouco, por Whatsapp, quer seja texto, audio ou chamada. São poucos cuja conversa me agrada por uns minutos. Poucos que não me fazem sentir “ai que preguiça dessa conversa”.
Conheço gente como eu que teve sucesso. Que conseguiu usar a inteligência, tirá-la da posição de potencial. Eu não. Sou só um grande potencial. E uma baciada de fracassos.
Acho que eu nunca quis sucesso, no fundo não, ainda que conscientemente houvesse um esforço nessa direção. O meu inconsciente não quer ter sucesso nesse mundo da forma como ele é muito menos ter sucesso nesse sistema social lamentável que nos levou à situação em que estamos.
Eu voto pelo estabelecimento do Facebook da miséria, vamos mostrar um pouco das nossas misérias, quem sabe uns momentos de mais verdade.
Não estão cansados, tremendamente cansados, desse teatro todo???
(mais…)

Busca

O resumo da minha “viagem” (sóbria) no carnaval é: ao olhar para a situação do planeta, e acreditando que a população atual é tão gigantesca (https://www.worldometers.info/world-population/) e que nosso modo de vida “consumidor” já consumiu mais do que o planeta consegue se regenerar, resolvi dar uma pesquisada nos primórdios da nossa civilização, para ver se entendo como nos tornamos isso, uma espécie parasita, suicida, que condenou fatalmente já o hospedeiro (nosso meio ambiente e todas as outras espécies). É só uma questão de tempo, agora. 
Na ausência de um futuro possível, me voltei para o passado longínquo, para entender, para tentar compreender, o que agora me parece uma tarefa impossível. Aqui neste vídeo dá pra ver que o Homo Sapiens, quando surgiu, conviveu com outras espécies de hominídeos e os extinguiu:  https://www.youtube.com/watch?v=DZv8VyIQ7YU conta a nossa evolução, até aparecermos, cerca de 200.000 anos atrás. Vi outras fontes, mas vamos manter isso simples. Depois disto, nos espalhamos, aqui mostra certinho como nos espalhamos depois que aparecemos por aqui, é como se fosse uma continuação perfeita do vídeo anterior: https://www.youtube.com/watch?v=-6Wu0Q7x5D0

Então pra entender o ser humano um pouco melhor, temos 195.000 anos sem escrita, só sobrou arte e utensílios e fósseis em sítios arqueológicos. Que nos dão pistas, podemos estudar arqueologia e história da arte como amadores, tem muita coisa na internet, podemos sonhar. Conjeturas. Interpretar esses itens arqueológicos encontrados sob filtros de diferentes ciências e até mesmo reunir todas as impressões para ter uma visão de conjunto, para ver qual é a nossa repetição enquanto espécie, talvez para entender melhor o inconsciente humano numa pseudo totalidade, uma fabricação para ver o que é comum a todos nós. Na verdade é só o desejo de saber quem somos, ainda não sabemos. Vamos nos extinguir sem saber quem somos.
Depois temos os últimos 5 mil anos, com alguma escrita em símbolos desenhados, em alguns povos antigos, e depois virou alfabeto e “globalizou”. Pra resumir. Podemos estudar isso, tem inúmeros livros já sobre a história da escrita e das comunicações.
Mas por curiosidade, fui procurar quem escreveu os primeiros textos. Foram os Sumérios. Aí encontrei isso: http://etcsl.orinst.ox.ac.uk/ Se você estiver muito curioso, visite cada botão, as páginas que descrevem como usar o site. É  bom. Mas se quiser cortar caminho, clique em “corpus content by category”. Vai cair nesse link: http://etcsl.orinst.ox.ac.uk/edition2/etcslbycat.php  As três primeiras linhas são só listagens, catálogo. Os textos começam abaixo de “Narrative and mythological compositions” Em cada linha tem link para o texto, escolha as versões em “unicode”. Aí cai em páginas que tem a transliteração e a tradução. Escolha a tradução, a não ser que seja um estudioso do povo Sumério. No primeiro de todos, por exemplo, caímos nesta página: http://etcsl.orinst.ox.ac.uk/cgi-bin/etcsl.cgi?text=t.1.1.1#
Então, o ler, verá que 5.000 anos atrás não éramos tão diferentes assim. Era a respeito de povoar a terra e tomar tudo o que ela dá, de ter bastante água, ele fala muito da água em abundância, e comida e fazer muitos filhos. E foi o que fizemos.
Nesse texto desse último link, tem incesto e estupro, já nesse primeiro texto, isso era considerado normal. O ser tomado como divindade fecunda uma mulher, acho que a primeira não quis pois estava no tempo da “enchente” (menstruada?), depois fecunda a filha que teve com ela, depois a neta que foi a filha que ele teve com a filha e assim por diante por 5 gerações ou 5 gerações, ele fez filha na filha, que era sua neta e fez uma filha na neta, e depois fez uma filha na bisneta e assim por diante, tudo era dele. Era dele a terra que ele chamou de virginal, porque não tinha tido ali nenhum assentamento humano antes, e as mulheres, e a comida e a água, para esse Deus masculino, sucesso era a repeito disso. Sêmem e propriedades. Tudo era propriedade e passível de ser possuído. Algumas dessas mulheres ele forçou, uma limpo o sêmem das pernas. Ele fez vários filhos, determina quem casa com quem e no final do texto pede-se que se reze por ele, devemos louvá-lo e agradecê-lo pela sua fertilidade. Esse é um do nosso ancestral. Uma das mulheres parece ter tido vários filhos com o irmão, os clãs eram pequenos, a familia se reproduzia em si mesma. Esse é só o primeiro texto. Tenho que reler pra ver se não entendi tudo errado. Mas de repente deu uma preguiça de ir ler tudo. Vou ler mais alguns, uns poucos e é só. Para conhecer o homem primitivo basta olhar para o homem moderno. Não mudamos nada. Ainda estamos fazendo o mesmo. Ainda é a respeito de poder e propriedades. Ainda estão tomando a terra. Ainda estão estuprando.
Hoje escrevi no Facebook: “Não vamos parar a tempo porque o tempo de parar já passou e continuamos em marcha firme, sem intenção de mudar. Não tem como despertar um por um, ensinar quase 8 bilhões de pessoas, que estão literalmente dormindo. Não tem emprego para todos, não tem comida para todos, logo não haverá água para todos, em alguns lugares já não há. São as grandes indústrias e corporações que deveriam parar de fabricar, mas não vão, porque a sua meta é “aumentar o crescimento, aumentar as vendas“. E nem sabemos mais sobreviver sem esse modo de vida, “eles” vão fazer o que? Dar um lote de terra pra cada um se virar? A esta altura do campeonato? Alguém dá alguma coisa pra alguém? Então já estamos desenganados, enquanto espécie, e nosso meio também. Somos parasitas e já matamos nosso hospedeiro. Acho que a revolução industrial decretou nosso fim séculos atrás. Mantenha-se acordado para assistir o fim de olhos bem abertos, somos as gerações que nasceram para assistir o ocaso da humanidade e do mundo como o conhecemos.”

Muito Antes de Physis e Arché

Este post se destina a guardar um determinado grupo de posts escritos no Facebook durante o carnaval, para que eu possa reler novamente em outro momento.
“Quando vemos áreas intocadas pelo homem, vemos que todas as espécies estão em harmonia, cada uma desempenhando uma função no ecossistema para mantê-lo, para manter a vida, de forma que possam sobreviver. Onde o ser humano chega, é tremendamente destrutivo, *usa* a natureza para explorar, retira até o talo sem preservar, sem se importar com as outras espécies, prejudicando a sobrevivência de todas, muitas ele mata para torná-las em elementos de consumo, até extinguir. Desta forma estamos destruindo nosso habitat e tudo que permite que continuemos a viver. Somos uma espécie burra, suicida e arrogante, porque ainda clamamos ser o topo da evolução de um planeta, que sem nós, seria um paraíso de abundância e paz. Somos as espécie mais tosca e destrutiva, nossa função no ecossistema é de parasitar e exterminar. Não fomos expulsos de paraíso nenhum, ainda estamos nele, destruindo-o vorazmente. Na verdade, nós é que estamos expulsando o paraíso.” 23 de fevereiro às 07:50

“A sexta extinção em massa está em curso, desta vez o homem é o asteroide. Nos últimos 40 anos exterminamos 60% da vida na terra, para consumir. Em uma década não terá mais água e comida para tantos bilhões de consumidores. Se tanto. Já é tarde demais. Os recursos destruídos levariam pelo menos 5 milhões de anos para se recuperarem, SE SUMÍSSEMOS NESTE SEGUNDO. Somos aqueles que nasceram para (mais…)

E se de repente pára?

~Deitada, quieta, no escuro, o coração bate tão forte que se faz sentir. E se de repente para? Um musculinho de nada, batendo teimoso, por décadas. E se de repente para? Essa maquininha, por que funciona? Uma bolota de carne, caída no mundo, sem manual. Ciente de que existe. Para que? Vá você dizer com certeza o que está fazendo aqui, por quê isso eu não tenho para dizer. Estou aqui. Estou fazendo, mas o que? Estou só pulsando. Só? Estou só. Na verdade nem isso. Eu só estou. Estou. Estou esse corpo, essa massinha de carne, com esse negocinho que pulsa. E se de repente para? Que pode ele diante do vendaval que assopra, da faca que fura, da terra que gira? Que paúra dessa fragilidade! E se de repente para? Coração, por favor, não bata assim tão forte, tão de mal jeito, que me faça percebê-lo, que me lembre que estou assim tão viva, que você bate assim tão perto da pele, tão fácil de rasgar, tão fácil de estragar. E se de repente para?

Physis e Arché, Último Capítulo

(ou A Lenda do Uno, ou A Crônica do Lavoisier Entediado. Feliz 2020!
~Era uma vez o Uno. Mas ser uno entediou-o profundamente. Nada de novo acontecia. Explodiu-se em trilhões de fragmentos, e seus pedaços passam a eternidade buscando a integridade, sem nunca alcançá-la, porque quando um pedacinho se lembra de onde veio e para onde vai, tudo já mudou novamente de lugar. Então ele se tranforma no processo e é sempre tomado novamente pelo esquecimento, porque o reencontro com o Uno não dura um segundo, e lhe remete ao tédio. Então o Uno ainda é uno, porque mesmo tão fregmentado, não teve como desagregar-se. Mas cada fragmento sempre pode esquecer-se e reviver novas velhas histórias, como se tudo fosse novo, novamente. Eternamente dormir e acordar, recordar-se e olvidar-se e adormecer novamente, para que jamais fique preso no tédio, jamais novamente. Todos os fragmentos ligados por um fio, para que tudo que cada um faça, se reflita no resto como novidade, garantindo que ele mesmo não recaia no tédio novamente, de ser um só, que nada tem a fazer. Na solidão de ser Uno, precisou ser zilhões de pedacinhos, para cada pedacinho ter a ilusão de que tem outros fragmentos para interagir. Mas coitados, são todos aspectos e manifestações deles mesmos, ou ainda, dele mesmo, e tão logo percebem, voltam ao tédio. Para serem brevemente reciclados no processo de esquecimento chamado enganosamente de “morte”. Tão apenas para se manifestarem outra vez, de outra forma, e viver novidades com outros esquecidos fragmentos eternamente reciclados.

O Zen, o Budismo, Veículos, Julgamentos e Ecumenismo.

O Zen, o Budismo, Veículos, Julgamentos e Ecumenismo.

Hoje realizei algumas pesquisas, ainda de forma breve, e aqui https://sobrebudismo.com.br/os-cinco-tipos-de-zen/ e aqui https://sobrebudismo.com.br/os-cinco-tipos-de-zen-final/ encontrei 5 tipos de zen.

Encontrei esse texto hoje e me surpreendi, como sou ignorante em tanta coisa. Não que me tivessem apresentado esses conteúdos em detalhes, mas eu também não fui atrás de pesquisar. Responsabilidade minha pela minha ignorância. Nesses textos percebo alguns julgamentos mas não vou ficar com isso, fico com o fato de haver mais de um tipo de Zen.

Muito difícil aceitar a doxa que diz que um veículo é menor que outro ou que um veículo não realiza o caminho completamente. Ninguém sabe o que vai no interior de uma pessoa nem como ela realiza o Caminho. Esses textos significam para mim que: eu ainda posso ser Zen embora não sinta mais afinidade com a escola Soto-Zen, e isso não é um problema.

Apesar da Soto-Zen ser uma escola muito boa e estar muito na moda no Brasil agora, eu não me identifico mais  (no momento) com ela. Em um outro momento da minha psique, posso pensar diferente, mas no momento não consigo.

Hoje acredito que eu apenas não tenha encontrado a escola de Budismo correta, mesmo que não seja Zen, pois ser Zen ou não ser Zen não é o foco, mas acho que ser Budista é mais importante, esse guarda-chuva maior que engloba todas as escolas de Budismo. Acho que não se pode perder de vista que Shakyamuni Buda é o norte primordial. Ele está em muitas escolas de Budismo como Jesus está em muitas denominações de Cristianismo.

Em qualquer dos casos não se pode julgar qual escola ou denominação é a melhor, eu acho isso, na minha ignorância. Mesmo porque cada templo ou igreja interpreta a sua escola ou denominação ou os ensinamentos de Buda ou de Jesus do seu jeito. E cada templo ou igreja dá suas cores e estilo, e a escola ou denominação pode ser “ótima” (de acordo com julgamentos externos) mas aquele templo ou igreja em particular pode não ser “tão bom assim” (de acordo com julgamentos internos relacionados com identificação). Não estou aqui, neste raciocínio, englobando as igrejas que se transformaram em negócios de pastores, nem falsos médiuns, nem os falso gurus que temos tido notícia na mídia. Ora, sabemos que charlatões há em todos os lugares.

O praticante (todos, inclusive os próprios sacerdotes, mestres, médiuns, pais-de-santo, gurus, etc, ele pode estar realizando qualquer coisa em qualquer lugar: o Caminho, iluminação, salvação (se preferem usar essa palavra), evolução, despertar, etc. Mas pode também estar realizando por exemplo a atuação de graves neuroses, psicoses e perversões de toda ordem. Portanto, nenhum lugar é seguro e todos os lugares servem, se você está no Caminho, todos os lugares tem algo a ensinar. E a velocidade é sua. Não é da igreja, templo, denominação ou escola.

E há despertos e há perversos em todas as religiões do mundo. Todas. E não tem como julgar que nome de denominação ou escola ou qual templo ou igreja ou terreiro reúne mais iluminados ou perversos, não tem como saber. Estive em vários lugares de várias religiões ao longo da vida. O ser humano é o mesmo em qualquer lugar. O lugar em si não é garantia de transformação. Podemos sim cair em doutrinas distorcidas. Há que se ter cuidado. No entanto, no caminho espiritual, pude observar que algumas pessoas não dão conta de determinadas coisas e ficar numa doutrina, ainda que distorcida sob algum aspecto, é a melhor coisa que pode acontecer para aquela pessoa em termos de espiritualidade. E quem sou eu para julgar o que é distorcido ou não? Me atrevo a ter opiniões, sim, mas não quero ter certezas, isso é consciente em mim e começou não há muito tempo.

Um iluminado pode nunca dar a menor pista que é iluminado, porque ele mesmo não sabe que é iluminado. Pode-se observar o comportamento de pessoas. Também não tem como saber se alguém está “salvo” ou não. Pela Bíblia, se alguém está no Amor, ele está em Deus e Deus está nele (me falta agora a referência dos versículos), e isso acontece em tantas religiões, estar vivendo esse Amor fraterno e absoluto, é a compaixão.

Da mesma forma um perverso, bom, estou estudando, mas as motivações para permanecer em um lugar a qualquer preço, ou seja, “juntar” tempo de prática podem ser das mais diversas, até mesmo a atuação de um falso self, que não consegue ser outra coisa senão aquilo que ele mimetiza. Pode-se atravessar uma vida assim.

A presença de um perverso em um lugar religioso é sempre a melhor forma de prejudicar inúmeros seres, de fazer sofrer inúmeros seres. Tem o Karma de fazer o mal, que é do perverso. Mas também tem o Karma de permitir que o mal seja feito, que é uma forma de realizar o mal através do outro. Eu ainda vou estudar muito sobre o perverso para poder falar sobre isso com propriedade.

Não terminei minha busca. Quero visitar o Taoísmo e conhecer sua prática. Tem muitas formas de ter uma experiência religiosa, de se relacionar com o que o que está além do espaço e do tempo. Agora que aprendi a diferença entre 1) experiência religiosa, 2) religiosidade, 3) religião, me sinto mais livre ainda. Porque estou atrás da experiência religiosa em diferentes práticas de religiosidade. A religião, que é a institucionalização de uma religiosidade específica é o que menos importa para mim.

Não estou preocupada em me salvar ou me iluminar nem mesmo em evoluir. Não acho que essa coisas devem ser o foco, isso é consequência. E se acontecer, não vão me tornar melhor que ninguém.

Na Umbanda eu posso ser Budista, me foi dito. Eu posso ser Budista em casa com todas as práticas que aprendi no Zen Budismo Soto-Zen, que eu não abandonei, ao contrário, estão mais intensificadas agora. E posso frequentar a Umbanda, e um não agride o outro, dentro de mim não há conflito. Também posso fazer yoga, que está nos planos. Buda era yogue.

A oitava* linha da Umbanda é a “Corrente do Oriente” (Corrente no mesmo sentido que se usa pra água, água corrente, fluxo, movimento, fluir, não no sentido de grilhões, obviamente). Para mim, Buda flui nas minhas práticas e eu carrego isso para a reunião na Umbanda. Levo Kannon, Kanzeon Bosatsu comigo, no meu coração, e sobre isso falarei depois.

Essa tradução dos 4 votos do Bodhisattva me parece mais adequada:
Seres são incontáveis; faço voto de libertá-los. (não “salvá-los”)
Delusões são inexauríveis; faço voto de findá-las. (não “desejos”)
Portais do Dharma são ilimitados; faço voto de penetrá-los. (nenhum portal é limitado)
O caminho de Buddha é insuperável; faço voto de realizá-lo.

Se os portais do Dharma são ilimitados, não se pode dizer que um veículo é melhor, maior ou mais completo que o outro. Os portais do Dharma se abrem de forma diferente para cada um que O busca. A cada um de acordo com o que compreende e com o que dá conta naquele momento do Caminho. Muitas vezes é num lugar religioso tido como “todo errado” pela sociedade que a pessoa aprende uma “lição” do Caminho, que em outro lugar, para aquela pessoa, não seria possível.

Quando tomei refúgio, ganhei o nome de Hōnin, significa perseverança no Dharma, ou Dharma da perseverança. Mas eu também sou Ronin, agora, sem mestre porque todos são meus mestres, a vida é minha mestra. Sou as duas. E infinitos mestres já me ensinaram e muitos outros estão aparecendo e me ensinando. O ecumenismo é vivo em mim, a prática pura é a fidelidade ao Dharma, e o Dharma permeia tudo que existe. Como o Bodhisattva Kannon, “não há um lugar em que não se manifeste”.

Eu estou vendo diferentes manifestações de Bhudda. Diferentes manifestações do Dharma. Diferentes manifestações de Sangha. E diferentes manifestações da Compaixão Suprema, Kannon, não há mesmo um lugar em que el@ não se manifeste, eu testifico isso, em cada lugar, cada pessoa, todas essas coisas se manifestam de forma diferente.

E estou me relacionando com todas essas diferenças. Tudo é veículo quando você reconhece o Caminho. Tenho estado em diferentes religiões desde que nasci e tenho 52 anos. Desde a infância diferentes práticas, crenças e religiões me atravessaram e me afetaram, há afetos em todas.

Meio século para entender o que pode vir a ser ecumenismo de verdade. Eu mal comecei com o ecumenismo propriamente dito.

Manifestações, Sangha, Dharma, Buda e mediunidade

Manifestações, Sangha, Dharma, Buda e mediunidade

Imagem de ilustração: O Conselho Ecumênico, de Salvador Dali http://totallyhistory.com/the-ecumenical-council/

Querida leitora, querido leitor, esse é um texto sobre ecumenismo, da perspectiva da minha incursão pessoal nessa prática.

A investigação do enigma de ser, para mim, já passou do estágio do QUEM sou eu. Venho nesse momento estar provisoriamente (sempre provisoriamente e tão precariamente) num estado de “O QUÊ sou eu?”. Já de antemão sabendo que nunca o saberei completamente.

Isso, se é que existe um EU nem vou entrar nisso agora. Se o eu é uma ilusão ou não, pela via religiosa ou psicanalítica, vamos partir do pressuposto que eu vou chamar de “eu” esse amontoado de causas, condições e circunstâncias ambulantes que usam como veículo de trânsito esse outro amontoado de células que são a minha pele e tudo que está contido dentro dela, inclusive até as células de outros seres que estão dentro de mim, por exemplo a flora bacteriana, que dialogam com o cérebro por sinais químicos). Essa massa de coisa aqui que tem um provisório documento de identificação RG válido apenas até o segundo da minha morte.

Tudo que você irá ler aqui hoje é um grande SE, um enorme SE antes de cada frase, de cada verbo, de cada oração. Há momentos que eu falo tomando determinadas coisas como certas para efeito de progredir o raciocínio, senão seria tudo um amontoado de perguntas esperando que (mais…)

Ainda Physys e Arché

Tenho desejado produzir mais texto, porém eu tenho muita coisa pra estudar. Eu já estou no quarto semestre de filosofia e “me vi em béstia” porque assistir às aulas e colocar na prova o que estava no conteúdo é fácil. Mas tornar-se filosofa não é isso. Eu não senti que construí um pensamento em mim, ou ainda um pensar filosófico. Nos últimos dias eu não pude produzir texto “meu diário” porque estou ocupada tentando dar conta da (mais…)

Sair do armário

Sair do armário

Imagem: Witches around the Fire by Paul Ranson

Hoje eu noto que tem uma grande demanda da sociedade para as pessoas “saírem do armário”, quase como que uma obrigação. Ou um rito de passagem. Você assume quem é e parece que a sociedade se tranquiliza, relativamente falando, em relação a você, vamos assim dizer, porque uns podem passar a te odiar com razão e outros, amar com motivos. Ou apenas sossegar porque agora você tem um rótulo definido para a sua “perturbação”.

–  ” Ah! Era isso, el@ era gay. Eu sabia! Nunca me enganou!” E tudo ganha uma pseudo-normalidade porquefoi encontrada uma “explicação” (???).

Ou ainda seus pares, seu semelhantes, vamos colocar dessa forma, te acolhem com alegria e você passa a pertencer, ganha uma nova família, e tudo ganha também uma pseudo-normalidade.

Eu digo pseudo-normalidade porque (mais…)

Pin It on Pinterest