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Interessante como determinadas coisas nos alcançam. Eu tenho falado ultimamente sobre [mãe] no facebook, não exatamente escrevendo, mas colocando músicas sobre mãe e permeando essa temática de outras formas também.

Hoje acabei achando um texto sobre mãe sem querer. Agora que recém fiz este blog (dixxi.com.br), resolvi buscar no Google o meu nome Rossana Giansante Bocca para ver o que é o que o Google apresenta nessa pesquisa. Nas imagens, muitas coisas relacionadas e não relacionadas comigo também. Na página três dos resultados da pesquisa de texto e em várias fotos dos resultados em imagens, o Google me dá como associada a um exemplar antigo do Jornal da Comunidade Zen Budista do Brasil. O Jornal do Zendo Brasil, da Monja Coen.

Ora, pratico todos os dias, zazen e orações e leitura de Sutras. Diariamente. Hoje mesmo fiz uma Tchoka completa no meu altar. Tenho lido o Dhammapada, para mim e para meus ancestrais. Mas não tenho frequentado mais, não tenho participado de nenhuma Sangha.

O Jornal em questão informa a data em que eu havia recebido meus Preceitos Budistas, 10/01/2015. Na última página está o meu nome lá, Honin, Dharma da Perseverança. Mas isso não é o principal aqui no meu texto, a questão que me chamou a atençaõ foi título do texto da primeira página, que se chama Mãe Buda.

“A mãe de todos os Budas é a Sabedoria Suprema” é uma frase que está no texto do Jornal nº 52 (Sabedoria Suprema = Prajna Paramita). Também encontro “Mas, quando a mãe Prajna Paramita chega, quando nos alimenta com a Verdade Suprema, todas as outras mães se aquietam. Prajna Paramita é a mãe de todos e todas as Budas. É preciso reencontrá-la” (…) “Quem consegue perceber, acordar, despertar, se encontrará aconchegada em seu colo (solo) abençoado. Por todo o agora e sempre. Gratidão, mamãe, pelo que sou e pelo que não sou. Pelo que fui e pelo que deixei de ser, pelo que serei sem ainda o saber. Bênção, mãe! (…)”

Eu não tenho a pretenção de achar que vou chegar um dia, nessa existência, à Sabedoria Suprema, nem sei dizer como é a Sabedoria Suprema. Mas acredito que ela está além de tudo que é meramente humano, inclusive as religiões. Nem sei se a mente humana alcança isso, sendo esta tão limitada. Há quem tenha alcançado isso, como Buda por exemplo, e outros, tanto no Budismo como fora dele. Mas a mim só ocorre: como o limitado visitará ou conhecerá o que é ilimitado? É uma questão que não tenho resposta. Mas continuo buscando, no Budismo, na Psicanálise, na Filosofia. Mas o que busco eu afinal? Esse saber que abarca tudo? Não, eu só busco conhecer um pouco mais do que me permiti conhecer até agora. Busco o saber, sem adjetivos. Supremo, Completo, Sagrado, Divino, Mundano, Racional, Espiritual, Emocional, Psicanalítico, eu não sei, não quero colocar adjetivos no saber. É o Saber. Ou a Sabedoria. Mãe Buda, Mãe despertar, Mãe Sabedoria. Buda é o Desperto. Se eu acordar nos braços da sabedoria, quem sabe eu encontro conforto.

Ao mesmo tempo acredito que esta Sabedoria Suprema, da ordem do ilimitado, teria então que permear tudo que existe, se é que tudo que existe já não é essa Sabedoria Suprema manifesta. Eu não tenho respostas e isso me dá mais tranquilidade do que outra coisa qualquer. Porque só o fato de estar caminhando nessa busca já é muito interessante e maravilhoso.

Com certeza estou buscando sabedoria, em muitas áreas para além da religião. Não sei ainda dizer o que é conhecimento mundano ou divino. Apenas resolvi estudar muita coisa, inclusive a mim mesma, isso começou anos atrás.

Mas eu não sustentava o desejo da busca e do aprender. Não antes da psicanálise entrar na minha vida e os anos de divã darem seus frutos.

Durante o processo psicanalítico, eu me observo e sou observada, numa dinâmica que pressupõe a presença de um outro num processo que se desenrola na existência desse par analítico. Isso nos transforma na presença da interpretação da minha fala em associação livre, por parte do analista e por minha parte também, visitando meu universo de representações através dos conteúdos onde o inconsciente aparece representado. Ora, o inconsciente é ilimitado.

E eu me observo no zazen, ao observar o fluxo livre dos meus pensamentos na meditação de silêncio e imobilidade, observo minha mente e os conteúdos que desfilam nela durante o mergulho meditativo. Mas eu não observo só a mente, mas sim tudo que existe e que está acontecendo aqui e agora, inclusive na minha mente. E isso também é da ordem do ilimitado.

O Jornal me fez lembrar que meu nome Budista é Dharma da Perseverança. Desconfio agora que não só eu persevero no Dharma, onde quer que ele esteja, como agora penso que o Dharma persevera em mim onde quer que eu vá. Da última vez que fui em um pai-de-santo, o guia incorporado me mandou meditar. Então, assim, eu voltei a fazer zazen todos os dias.

E agora, acho que o Dharma acabou de me mandar um recado: que o Dharma não se esqueceu de mim, nem do meu nome.
http://zendobrasil.org.br/wp-content/uploads/2015/04/Jornal-Zendo-52-sites.pdf

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